Jovens dizem sim para voto aos 16
Data de Publicação: 28 de abril de 2008
Jovens de São Luís aprovam o voto eleitoral aos 16 anos de idade. Foi o que mostrou o resultado nas urnas no Colégio Santa Teresa, primeira escola particular a realizar o projeto do juiz Alexandre Abreu, intitulado “Eleitor: meu candidato favorito”. Dos 232 alunos que compareceram à votação, 137 votaram “sim”; 88, “não” e 07 vo taram nulo.
Este projeto complementa o do Tribunal Regional Eleitoral, que também deverá percorrer os colégios. A diferença é que o “Eleitor: meu candidato favorito” oferece, além da palestra sobre os procedimentos de uma votação, informações sobre inscrição, propaganda, debate e votação. “O projeto do juiz Alexandre Abreu encaixa no nosso, pois tem a mesma finalidade que é a formação de cidadãos conscientes”, diz Regina Polit, coordenadora do projeto do Santa Teresa, “Construindo a Cidadania”.
Como a lei faculta o voto aos 16 anos, alunos do 1º e 2º ano do Ensino Médio do Santa Teresa foram convidados a se questionar se o voto é importante e iniciar discussão sobre o tema. Eles elegeram representantes do “sim” e do “não” e defenderam seus pontos de vista num auditório lotado.
Como representante do “não”, Pollyana Bastos, 16, diz que não tem nenhuma dúvida de que nesta idade o adolescente ainda não está preparado para votar. “Voto é uma coisa muito séria”, diz ela. “Acredito que antes de votar, o jovem deve participar da vida política de outras formas, conhecendo seus direitos e deveres como cidadãos até amadurecer mais suas convicções, e não votar só por votar”.
Já o coordenador do grupo do “sim”, Kleber Werneck, 16, afirma que o adolescente já sabe, sim, o que é certo e errado. “Numa roda de amigos, falamos mais sobre estudo, mas quando surge o assunto sobre o que está acontecendo no país, todos nós damos nossa opinião, porque acompanhamos os fatos através da imprensa, da leitura em geral. Acho que devemos interferir porque quem muda o futuro são os jovens”.
Diante das duas defesas, os alunos foram para a votação nas urnas cedidas pelo TRE. Tiago Gonçalves, 17, votou “não” e justifica: “A maioria não está preparada. São poucos os que sabem sobre os impostos do país, por exemplo”. Depois de votar “sim”, o aluno Lucas Monteiro, 16, argumentou: “Desde a luta pelas Diretas Já o brasileiro vem se preparando melhor para votar. Se no primeiro voto a escolha do jovem não for tão acertada, acredito que a experiência valerá para ele acertar na próxima vez”.
OPINIÃO DO JUIZ- O juiz Alexandre Abreu disse que ficou bem impressionado com o nível de conscientização dos alunos. Mas disse que não ficou surpreso, já que é ex-aluno do Santa Teresa e conhece a filosofia do colégio. “O Santa Teresa sempre teve essa preocupação de conscientização social dos alunos”, diz ele. “Na época em que eu estudava aqui, ajudávamos pessoas carentes e participávamos de debates sobre igualdade e fraternidade. Posso dizer que essa vivência aqui, aliada à minha formação familiar, fez com que eu não abandonasse essas causas. Eu sempre estou envolvido com conscientização da juventude, das lideranças comunitárias e dos partidos políticos. O colégio teve grande participação nessa minha escolha de vida”, finalizou.
Liliane MoreiraAssessora de Imprensa